quarta-feira, abril 26, 2006

A POSIÇÃO SULISTA NAS ELEIÇÕES 2006

AUTODETERMINAÇÃO DO POVO SUL-BRASILEIRO E AS ELEIÇÕES DE OUTUBRO

Celso Deucher

"Quando um povo desperta, as expectativas fraudadas revelam-semais incendiárias do que as velhas necessidades nunca atendidas"(Georges Benjamin Clemenceau (1841-1929), político francês)

Em 3 de outubro desse sexto ano do Século XXI, o Brasil continuará seu teimoso caminho em direção ao abismo e à sua futura e inevitável desintegração. Ocupado pelos bravos portugueses, a partir de 1500, o Brasil foi integrado aos seus domínios a despeito das tentativas holandesas, espanholas, inglesas e francesas em estabelecer conquistas parciais de um vasto continente. Dentro dessa perspectiva, os portugueses conseguiram legar ao Brasil independente de 1822, uma vastidão territorial unificada pelo poder absolutista e imperial da dinastia importada de Orleans e Bragança.

Podemos dizer que o Brasil nasceu do ventre do poder centralizado e não em consequência da escolha autodeterminada de cada uma de suas diversificadas regiões e de seus respectivos habitantes. Ou seja, o Brasil foi Estado sem nação, a não ser a portuguesa dos seus dominadores. E o "melting pot" de hoje, nada mais é que o resultado do abafamento de todas as tentativas de inúmeros processos de autodeterminação, independentistas ou federalistas, de nacionalidades em formação. E, que foram trucidadas pelas armas e pelas mais odiosas submissões à vontade do Poder centralizado, numa colcha de retalhos culturais e étnicos estendidos na imensidão de 8,5 milhões de quilômetros quadrados sul-americanos. Infelizmente, contendo diversidades extravagantes e radicais ignoradas pela desinformação em nosso mundo exterior.

As eleições para a renovação das cadeiras legislativas de várias esferas federativas, de legislativos estaduais, federais e do governo central, no próximo mês de outubro, mais do que nunca, representam a tendência de retorno aos piores autoritarismos da ditadura democratizada. A situação extremamente caótica de uma dívida externa que se aproxima dos 700 bilhões de dólares, tendo sido de 65 bilhões apenas 12 anos atrás quando começava o primeiro governo de Fernado Henrique Cardoso, transformou a disputa presidencial numa disputa por um armário cheio esqueletos de dívidas internas e externas que perpassam um trilhão de dólares. Violência incontida, completa insegurança pública e total negligência com Direitos Humanos, infraestrutura de transportes, ordenamento urbano e Meio Ambiente - notadamente com suas enormes fontes de água potável, representam apenas uma enorme massa falida, à espera de um síndico que possa conter as piores conseqüencias...

Não se pode deixar de admirar, não sem uma boa dose de masoquismo, o processo pelo qual povos inteiros são engabelados e lesados por minorias de espertalhões inescrupulosos através das décadas e dos séculos. Esse fenômeno tem despertado o interesse de grandes pensadores ao longo do tempo. Étienne de la Boétie e David Hume notaram há muito tempo que as elites governantes são sempre uma minoria e, por mais fortes que pareçam e por mais bem-armadas que estejam, seu predomínio repousa sempre, em última análise, sobre o consentimento expresso ou tácito da maioria dos governados. Essa servidão voluntária espantava la Boétie e Hume, pois basta que esse consentimento seja retirado para que as mais sólidas ditaduras se desmanchem no ar. A derrocada súbita e pacífica das tiranias comunistas do Leste Europeu entre 1989 e 1991 confirma esse insight. Do dia para a noite a maioria perdeu o medo do poder e abandonou a postura resignada e conformista que equivalia ao consentimento para o arbítrio dos regimes socialistas, os quais caíram com rapidez impressionante. Não foi diferente aqui e em boa parte da América Latina.

Mas acontecimentos dessa ordem são raros. O normal é que a maioria dos cidadãos se submeta passivamente aos piores desmandos estatais, sem manifestar oposição efetiva. A força bruta por si só não explica a coisa, como vimos. Porque tantos se deixam ludibriar por tão poucos? A escolha de ignorar parece-nos perfeitamente irracional. Por outro lado, quando vemos diversos candidatos apoiados por partidos de esquerda, sem qualquer oposição liberal, descobrimos que a realidade brasileira é apoiada apenas na existência de grupos de interesse que se servem do poder político para auferir regalias, valendo a pena empregar o máximo de suas forças para obter vantagens do Estado Onipotente. Os que antes eram liberais, no jogo pelo poder, tornam-se socialistas e vice-versa...

Ademais, enquanto que os privilégios favorecem poucos, o custo desses privilégios é diluído e pulverizado entre a maioria - a socialização da pobreza. E, muito poucos se apercebem disso, ainda mais numa sociedade treinada na boa fé e na ignorância das promessas jamais cumpridas.

Murray Rothbard estudou o Estado tal como ele é, sem concessões nem temor reverencial, em obras clássicas como Power and Market e Anatomy of the State. Ele observou que a necessidade imperiosa da casta detentora do poder político de criar ideologias legitimadoras capazes de ocultar a exploração que perpetra contra a maioria a leva a uma aliança natural com o grupo de indivíduos dotados do talento de produzir e difundir ideologias: os intelectuais. De fato, os proclamados "intelectuais" estão mais interessados no Estado planejador da felicidade à custa do contribuinte infeliz, do que a massa trabalhadora, envolta em suas esperanças de uma mobilidade social em liberdade e prosperidade.

A desinformação e a mistificação geradas e cultivadas pela "intelligentsia brasileira", combinada com a tendência das pessoas de preferir ignorar assuntos complicados, engendra a atmosfera ideológica apropriada para o Estado usurpar a propriedade e a liberdade, ampliando cada dia mais sua esfera exorbitante de poder. O poder político brasileiro se intromete na vida particular dos indivíduos, reproduzindo tiranias do passado, e lhes toma sem resistência vasta parte de seus bens via tributação escorchante, algo em torno de 42% do Produto Interno Bruto, sem lhes retribuir serviços públicos necessários, malgrado no passado revoluções e insurreições tenham unido pobres e ricos contra imposições tributárias, muito inferiores às atuais.

Num clima assim, não é de se admirar que os governos FHC e Lula tenham elevado a tributação de 23% para 42% do PIB, sem encontrar a mínima oposição séria. É claro que não. Nenhum partido político ou grupo influente brasileiro tem interesse em proteger os contribuintes (pelo contrário!), que, por sua vez, ignoram racionalmente o problema. É por isso que não há indignação da opinião pública com o estelionato tributário da CPMF, uma cobrança em cascata sobre depósitos e saques bancários.

Qualquer um dos candidatos a presidência do Estado brasileiro, vão ter que obrigatóriamente representar essa força motriz da ignorância programada. Caso contrário ficarão fora de qualquer páreo para ganhar. Todos, sem excessão, pelo que vimos até este momento, acreditam que o Estado centralizado será a resposta aos desafios dos desequilíbrios regionais e da profunda e aviltante distribuição da renda nacional. Os absurdos políticos no Brasil, assim, chegaram ao seu ponto máximo e crucial.

O panorama político brasileiro jamais foi tão indecifrável. Os partidos políticos estão esfacelados em alianças em siglas de meros interesses locais, nos Estados e nos municípios e foram destruídos e divididos pela total impropriedade das leis políticas e eleitorais de um Brasil dominado por oligarquias clientelistas do Poder Central.

Do ponto de vista dos que defendem a autodeterminação dos povos no continente brasílico, e muito especialmente nós, Sul-Brasileiros, a hora da libertação está sendo preparada com detalhes impressionantes, pela própria fome de poder de qualquer um dos candidatos à presidência de uma república que não deu certo. Neste momento, a questão é encher de esperanças ainda mais estes povos... Todos se dizem unionistas acima de tudo. Isso não pode mais ir muito longe.

É pois chegada a hora de nós Sulistas prepararmos a resposta e entrega-la em votos nas urnas funerárias das eleições presidenciais de outubro. A nossa posição tem que ficar marcada e bem acentuada como um protexto pacífico, num retumbante NÃOOOOO ao imperador que assumirá o trono do Estado nacional que nos mentém escravizados por mais de 500 anos. Para os que desejam a libertação do Sul, chegou a hora de pensar sériamente em como votar nas próximas eleições. A resposta que encontrarmos nos debates abertos dentro dos núcleos da nossa causa, será sem nenhuma dúvida a representação da nossa coletividade. Enfim, votamos, falamos, gritamos, vivemos, sonhamos como povo e como Nação Sulista.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Reconhecendo as razões expostas pelo eminente líder Celso Deucher, recomendo o voto no cnadidato majoritário que seja anti-LULLA, pois o candidato se vitorioso nas próximas urnas, levará adiante a idéia esquizofrência da integração sul-americana, trombeteada pelo ditador Chávez et caterva... Ora, os mecanismos de integração, farão das nossas fronteiras sulinas compromissos que porão por terra toda e qualquer causa pela autodeterminação.

Isto posto, acho que ninguém do Sul gostaria de ver morrer na praia qualquer esperança de dias melhores, pelo menos com liberdade de poder falar e escrever o que sentimos. Certo?

8:37 PM  

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