sexta-feira, maio 05, 2006

MOVIMENTO NO RIO GRANDE DO SUL:

São Borja na luta por um Sul Livre
O município é nacionalmente conhecido, por que lá está enterrado o ex-presidente Getúlio Vargas. O mesmo que queimou as bandeiras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul em nome da chamada "unidade nacional", fazendo sua própria filha, mais tarde, confessar de público que "chorou" ao ver o pavilhão da República Riograndense ser tomado pelo fogo. Não há dúvidas de que o ex-presidente fez muitas coisas positivas pelo país, porém, na questão do respeito as identidades regionais, foi um dos que mais perseguiu e negligenciou o sentimento dos povos. Talvez, como denunciam, pela sua intima ligação ao nazi-fascismo no começo da 2ª guerra.
É na terra natal de Vargas, que reside o nosso entrevistado de hoje, o companheiro de luta Vasco Ceretta. "Nasci e morro em São Borja há 37 anos e lembro quando era criança, dos meus avós, que já não existem mais, que o Rio Grande deveria ter uma porteira, e dele só poderia sair e vir a turismo, pois nós sozinhos teriamos uma vida melhor, se não dependessemos do Brasil. Muitas vezes ouvi eles tomando chimarão em um galpão, debaterem a questão separatista. Eles achavam que o Getúlio deveria ter vindo para cá e feito do Rio Grande um país" conta Ceretta. Alias, diz ele, "Getúlio nada fez por essa terra, o que aqui tem é fruto de pessoas anônimas que se engajaram em lutas para conseguir".
Por conta disso, conta Vasco, viu muitas pessoas empobrecerem no Rio Grande por conta de planos econômicos lançados por Brasília. "Estou vendo pessoas na miséria por que a economia nacional não está voltada para o desenvolvimento humano, ela tem outros fins", diz ele. "Acho que o povo brasileiro está de certa forma hipnotizado por algum poder oculto, pois não é possivel que com tanto escandalo não tenha havido, uma só manifestação popular contraria a isto, avalia. E pergunta: que sentimento é esse? Será que é o patriotismo brasileiro?
Quando se refere a questão da autodeterminação do povo Sul-Brasileiro, Ceretta confessa que já fala sobre o assunto desde 1987. Conta ele que certa vez quando eu estava estudando, conseguiu uma camiseta do Movimento Republica do Pampa e ao tentar entrar na sala de aula, foi trancado do lado de fora por um professor de matemática que era partidario do PDS na época. "Debatiamos na aula o Separatismo e ele ficava uma féra", diz.
"Se não fossemos tão coniventes com o tratamento que recebemos do estado brasileiro, já estariamos separados, pois por muito menos que isso a Revolução Farroupilha teve inicio", analisa. Na sua visão, hoje os bancos lesão o cidadão, o governo lesa a agricultura que é a economia da sua região. "Aqui se não tem soja, arroz, gado, o comercio fecha, as pessoas se matam, bebem até morrer, a vida de todos aqui está difissilima", diz. Separatista convicto, Vasco teme pelo futuro da Tradição Gaúcha. "Sou gaucho mas não vou em piquete de 20 de setembro. Uma vez discuti com um cara de um CTG, que colocou a bandeira do Rio Grande atrás de uma porta e a do Brasil na entrada. Veja a ignorancia, a burrice de um ato deste para com nosso pavilhão. Depois deste dia numca mais fui em CTG, pois entendo que não é por ai que vamos realmente valorizar as nossas tradições, nossos usos e costumes", explica.
Ele acredita que o mundo está passando por uma mudança radical, que está afetando a todos. "O inconformismo é geral, mudanças grandes irão acontecer num futuro muito próximo e os acontecimentos apontam para isso". Precisamos nos unir para lutar pelo nosso Sul". Ao falar do por que apóia o movimento O Sul é o Meu País, Vasco Ceretta diz que acredita na organização e nas propostas sérias, estudadas com fundamento para discussão. "É algo que não havia encontrado antes. Já tinha visto outros grupos, mas eram fechados demais e sem ideaís, sem postura. Tudo muito no ar".
Perguntado, como encontrou o Movimento, ele explica que encontrou na Internet quando pesquisava sobre separatismo no Brasil e a respeito de direito de Autodeterminação dos Povos. "Eu já conhecia e havia estudado este tema, mas não conseguia encaixar nele o nosso tipo de separatismo. Reli varias vezes matérias sobre este assunto e já estava acreditando que somente com uma luta armada para chegar a tal feito. Mas agora lendo os principios e as propostas do Movimento O Sul é o Meu País mudei de idéia e começo a acreditar ser possível, bem mais possível que antes", finalisa Vasco Caretta.

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